Democracia é bom, mas de verdade! • OEconomista

Autor: O Economista – 30 de setembro de 2006

Nem todas as sociedades se desenvolveram da mesma forma, seqüencialmente pelo mesmo estágio. Cada uma delas teve características próprias, geográficas, relações entre os indivíduos, símbolos, crenças, que as caracterizaram como povo de sua cultura. Das comunidades antigas, do convívio pacífico, igualitário, tivemos sociedades que passaram a apresentar profundas desigualdades, com transformações que transgridem muitos dos costumes que vigoraram por muitos anos.

Nelas a divisão de tarefas e a liderança sobre uma coletividade de trabalhadores produziu uma escala de diferenças sociais, por apropriação dos bens produzidos, pela idade e pelo sexo. Essas diferenças foram se acentuando na proporção em que os organizadores da produção criaram instituições que demarcaram poder de segurança sobre a sociedade e de controle sobre a capacidade de produção e a estocagem dos produtos.

A exacerbada vigilância sobre o trabalho desenvolveu um poder de controle sobre todos os componentes da sociedade e sobre eles um poder de mando. A função exercida pesou para definir determinado grau de influência sobre a coletividade e o trato dos iguais como ferramentas do sistema. Assim, também as mulheres passaram ao controle dos encarregados, definindo formatos de famílias monogâmicas ou poligâmicas, e os filhos, elementos bem nascidos para continuar a função de seu genitor. O poder passou a ser hereditário, e com ele o conhecimento e o ordenamento social (a divisão social pela função na produção).

Este controle sócio-econômico passou a concepção de que a prioridade, dos mais ricos, foi um direito adquirido e não furtado da coletividade na sua fase de organização primitiva do trabalho. Quando criado o Estado como uma instituição que legitima tal desigualdade, ao tempo em que os trabalhadores passaram para a forma assalariada, com parte de suas rendas absorvidas pelos impostos para manter o Estado, que mantinha os mais ricos.

Sobre essas estruturas se desenvolveram as civilizações, seguindo as especificidades de cada uma. Não existe um único caminho na história. Mas é difícil acreditar que cada povo tenha escolhido o seu destino com suprema autonomia. Assim, podemos considerar que a reprodução dos processos produtivos também se estabelece na política. E, diante do processo econômico, podemos afirmar que os elementos que se afirmam como social formam uma redoma cultural.

Diante da globalização neoliberal, espremido pelas dificuldades de superar o isolamento, os indivíduos buscam formar grupos sociais, culturais e políticos num processo de inclusão. As instituições do Estado apenas relatam que vão “… cobrar a apuração rigorosa das responsabilidades pelas mortes e seguir de perto as investigações do ministério público”.(AN – 19/02/05)

A organização social virou fato de polícia. A Constituição do capital e a “Justiça” geraram vítimas. Ao mesmo tempo o Nicolau cumpre prisão domiciliar com o salário em dia, os Tribunais dão reintegração de posse; de outro lado os governos afirmam que o Estado não tem verbas para aquisição nas áreas urbanas e rurais, alunos ficam sem escola porque o governo não tinha orçamento para recuperar escolas, a população continuará com pouca renda agregada porque não possui conhecimento e, em conseqüência, sem teto e sem terra diga-se, sem trabalho. Qual será a civilização que despontará desta democrática pátria brasileira?

Prof. MSc José Carlos Eloy Martins

Notícia Relacionada

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *